27º Programa Cuide da sua saúde: Cuidados a ter na associação entre plantas medicinais e medicamentos , 12 Dezembro de 2013

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27º Programa “Cuide da Sua Saúde” – 12 de Dezembro de 2013

Cuidados a ter na Associação entre Plantas Medicinais e Medicamentos

Interações entre plantas medicinais e Fármacos

Ao longo dos vários programas tem-se feito a apologia das plantas medicinais e dos suplementos alimentares, no entanto, há que ressalvar que o uso dos mesmos deve ser feito com parcimónia e com o devido aconselhamento técnico e profissional. Isto porque existem também riscos no uso de substâncias, mesmo que sejam de origem vegetal, natural ou de síntese biotecnológica. Nem tudo o que é natural faz bem, pois depende da sua correta utilização, do organismo de cada indivíduo, da preexistência de determinadas patologias e do uso concomitante com fármacos e medicamentos, em especial nos pacientes polimedicados, tais como os idosos e os indivíduos com doenças crónicas.

Existem por isso alguns riscos da automedicação, devendo ser necessário o aconselhamento técnico ou de um profissional de saúde (técnico de dietética, terapeuta, naturopata, médico ou farmacêutico).

Apesar de serem muito comuns as campanhas de publicidade sobre produtos, plantas ou substâncias “milagrosas”, devemos desconfiar de algo que funciona como uma panaceia, pois cada pessoa é um ser único, com as suas especificidades, com as suas caraterísticas fisiológicas e metabólicas e um produto que possa eventualmente funcionar bem numa pessoa, pode ser perigoso para outra. Tudo depende de cada organismo, das suas caraterísticas, do seu estado patológico, da alimentação que faz e da terapêutica medicamentosa que eventualmente realiza.

Contudo, existem também campanhas de determinadas organizações, que tentam denegrir a utilização das plantas medicinais, considerando-as perigosas para a saúde pública, mas cujo único objetivo muitas vezes não é o de esclarecer a população, mas descredilizar a sua eficácia e alarmar para os riscos da sua utilização conjunta com os fármacos. Uma coisa é certa, a utilização e eficácia clínica e terapêuticas das plantas medicinais está dependente da sua dosagem, do tempo e das circusntâncias de utilização  e da interação com outras substâncias, alimentos ou fármacos. Daí que defenda que a utilização de plantas medicinais, concomitante ao uso de fármacos, deva ser feita com parcimónia e vigilância clínica, pois podem ocorrer interações, efeitos colaterais, efeitos tóxicos e até mesmo incompatibilidades e certas idissioncrasias na sua atuação, podendo verificar-se um efeito antagónico. O melhor exemplo é o da Valeriana (Valeriana officinalis), que é utilizada como depressora do sistema nervoso central, sendo utilizada nos estados de ansiedade e insónias e que, nalgumas pessoas, revela efeito antagónico, aumentando o grau de ansiedade e excitabilidade nervosa. É óbvio que este efeito não é comum, mas pode surgir nalgumas pessoas que manifestem determinada predisposição. O mesmo acontece em relação ao uso concomitante de Valeriana com fármacos hipnóticos (Melhoram o sono), que pode ser contraproducente e até causar interações graves.

Por essa razão, nunca se deve usar ao mesmo tempo uma planta medicinal e um fármaco que revelem idêntica ou similar ação terapêutica ou mecanismo de atuação fisiológica.

Os maiores riscos de associação entre plantas e fármacos é nos idosos polimedicados (emprego concomitante de múltiplos fármacos), que poderá resultar em múltiplas interações, diminuição ou aumento da ação terapêutica de certos fármacos, com riscos para a monitorização clínica.

Alguns exemplos de interações desaconselhadas entre plantas medicinais e medicamentos:

- Medicamentos anticoagulantes e antiagregantes (diminuem a fluidez sanguínea) - ácido acetilsalicílico: evitar toma concomitante com Ginkgo biloba e Alho, pois aumenta o risco hemorragias e nódoas negras. Os indivíduos que tomem estas plantas medicinais ou outras com o mesmo tipo de ação, antes da realização de intervenções cirúrgicas (cerca de 1 semana antes), devem suspender a sua utilização, pelo risco de aumentar o tempo de hemorragia.

- Laxantes: Evitar toma com antibióticos e anti-contraceptivos orais e outros medicamentos, pois reduzem a absorção dos medicamentos e inibem a ação terapêutica dos mesmos.

- Antidepressivos: Fluoxetina – evitar a toma com Hipericão (Hypericum Perforatum – Hipericão Kneipp), podendo haver sinergias antagónicas na atuação terapêutica

- Hipericão (Erva de S. João): Evitar a associação com contracetivos orais, pois interfere com a eficacia clínica.

- Desintoxicantes Hepáticos – Dente de Leão, Alcachofra: Evitar a toma conjunta destes drenadores hepáticos com medicamentos, pois inibem a sua aborção, por não serem seletivos na desintoxicação orgânica.

- Anti-hipertensores  e Ansiolíticos: Evitar a toma com Ginseng ou Chá verde e chá preto.

- Diuréticos (medicamentos): Evitar toma com cavalinha, dente de Leão e outras  plantas diuréticas, pois promovem a depleção (eliminação) de potássio, devendo preferir-se a toma de plantas que rehidratem e que sejam ricas em potássio (só se doses elevadas); O uso excessivo de diuréticos promove a  eliminação de certos medicamentos, causando problema de desidratação, constituindo um dos problemas comuns em emergência médica: falta de eletrólitos, nomeadamente potássio. Os indivíduos que tomem muitos diurético devem aumentar o consumo de águas mineralizadas, pois o uso prolongado de plantas medicinais diuréticas ou medicamentos diuréticos promovem a depleção de minerais.

- Anticoagulantes com ácido acetilsalicílico e Vitamina K: evitar este tipo de associação, podendo aumentar o tempo de hemorragia

- Hipnóticos e Medicamentos Depressores do Sistema Nervoso Central (SNC) - Evitar a toma concomitante com plantas que atuam no SNC: Passiflora, Valeriana, Lúpulo e Papoila Californiana, podendo recorrer-se ao uso de Camomila, que revela uma ação menos marcada com depressor do sistema nervoso central.

- Estatinas - Sinvastatina: Depletoras de Coenzima Q10 (destruição hepática). Deve tomar-se suplemento à base de Coenzima Q10.

- Plantas Medicinais com propriedades diuréticas: Dente de Leão, Cavalinha  e outras Plantas medicinais diuréticas: Excretam medicamentos e diminuem a absorção/ ação de certos antibióticos

- Antibióticos – Exº Tetraciclina: Evitar o uso concomitante com anti-ácidos (bicarbonato de sódio e outros alcalinizantes), laxantes e produtos lácteos, pois interferem com a absorção e eficácia de atuação.

 - Sulfato de Condroitina (extrato de cartilagem de tubarão): evitar a toma em doses elevadas com antiagregantes plaquetários.

- Sulfato de Glucosamina (extrato da carapaça de crustáceos): Monitorizar os valores da glicémia nos diabéticos, caso exista a toma em doses elevadas; evitar a toma pelas pessoas alérgicas ao marisco.

- Antiácidos - cuidados acrescidos no uso concomitante de suplementos de cálcio: promovem a depleção de cálcio e impede a sua aborção; os anti-ácidos funcionam exatamente com captadores de cálcio dos ossos para promoverem o seu efeito.

- Quimioterapia: Evitar o uso de Pau D´Arco em doses elevadas, pois revela toxicidade (citotoxicidade) e pode interferir com os tratamentos quimioterápicos; preferir o uso moderado de Cavalinha, que potencia uma melhor absorção dos quimioterápicos ao nível das células.

- Bicarbonato de Sódio (alcalinizante): Evitar o uso conjunto com ácido acetilsalicílico.

- Varfina, antidepressivos e digoxina (antineoplásicos): evitar a utilização e associação com a Erva de S. João (Hipericão).

- Anticoagulantes: Varfina  e Vitamina K (pimentos) – evitar associação.

- Lactobacillus acidófilos (iogurtes e suplementos alimentares): evitar a toma conjunta com antibióticos, pois afeta a atividade; no entanto, devem ser tomados no final do tratamento de antibioterapia para regularizar flora intestinal, que normalmente é afetada.

- Anticoagulantes (cumarínicos): Evitar a toma com a Erva de S. João, Ginseng e Ginkgo Biloba.

- Ginkgo Biloba: Potencia efeito antiagregantes plaquetários – evitar a toma com ácido acetilsalicílico ou anticoagulantes, pois aumenta o risco de hemorragias; é aconselhável parar-se a toma alguns dias antes de qualquer tipo de intervenção cirúrgica, mesmo que seja uma pequena cirurgia ou extração dentária.

- Cavalinha e Quebra-Pedra: evitar a toma com outros diuréticos: promovem a depleção potássio.

- Alcaçuz – planta medicinal utilizada em xaropes e rebuçados com propriedades anti-tússicas – evitar a toma nos indivíduos Hipertensos: Aumenta a tensão arterial e Interage com a ação dos diuréticos anti-hipertensivos, devendo por isso evitar-se a toma por doentes com hipertensão arterial.

- Ginseng, Guaraná, Mate e Café: Evitar o uso com medicamentos com propriedades depressoras do sistema nervoso central (SNC)

- Ginseng - Revela propriedades hipoglicemiantes: evitar a toma em doses elevadas por indivíduos insulinodependentes, podendo potenciar crises de hipoglicémia.

- Kava-Kava: potencia o efeito dos barbitúricos, benzodiazepinas e fármacos psicoativos, devendo evitar-se a toma conjunta.

 

Para mais informações, consulte o seu médico, farmacêutico, naturopata ou técnico de dietética.

 

Para mais informações:

www.infarmed.pt

 

Cuide da Sua Saúde.