40º Programa Cuide da sua saúde: Depressão, 13 Março 2014

Podcast RDP Internacional

  

Depressão

Apesar de ter sido vulgarizado o termo “depressão”, o que é certo é que esta doença afeta cada vez mais pessoas, causando sofrimento.  A depressão pode ser ligeira, moderada e grave e pode exigir a intervenção médica psiquiátrica. Existem várias manifestações de depressão: Depressão major, a Distimia e o Distúrbio depressivo (sazonal), que afetam de forma diferente as pessoas.

A depressão pode ter como origem diversas razões, quer eventos de vida, morte de familiar ou de ente querido, problemas conjugais, divórcio, desemprego, problemas financeiros, problemas laborais, choques emocionais, traumas, solidão, após o parto, após alterações hormonais, como a menopausa, ou em certas infeções virais. Na maioria dos casos as pessoas com depressão não procuram ajuda de um profissional de saúde e não sendo diagnosticada, não é tratada convenientemente.

Principais Sinais e Sintomas

A depressão é uma doença do sistema nervoso que afeta mais as mulheres e que provoca mal estar psíquico, com sentimentos de tristeza, pessimismo, perda de interesse, podendo envolver mal estar físico, dores nas costas, fadiga psíquica e física, dores de cabeça e insónias. Carateriza-se por uma tristeza severa ou persistente, o suficiente para interferir com o quotidiano e diminuir o interesse e prazer nas atividades, em que não há resolução dos sentimentos negativos. Pode envolver alterações emocionais (angústia, apatia, alterações do apetite, isolamento, desinteresse, desmotivação) e físicas (dores nas costas, fadiga crónica, fibromialgia).  As alterações do sistema nervoso central condicionam diversas situações tanto somáticas como comportamentais, traduzindo-se por alterações psicossomáticas diversas: estados de ansiedade, de depressão, alterações de humor, humor instável, tendência para chorar sem razão aparente, angústia, insónias, perda de memória e alterações cognitivas (memória, concentração, atenção), alterações do apetite, alterações do sono, cansaço generalizado e fadiga crónica. Nalguns casos mais graves podem surgir ideias suicidas ou desejo de morrer.Tudo depende da intensidade e duração dos sintomas. A depressão moderada a grave pode exigir tratamento médico e hospitalização.

 

A Alimentação e o Humor

Os Neurotransmissores tais como a Serotonina, dopamina e noradrenalina influenciam a maneira como pensamos e nos sentimos, condicionando respostas sensoriais. O corpo fabrica-os normalmente a partir dos alimentos que ingerimos. Quando não existe a sua síntese adequada, pode influenciar o bem estar e o humor. Para que se dê a síntese dos neurotransmissores é necessária a existência de determinadas substâncias precursoras, tais como os aminoácidos triptofano e tirosina.

O Açúcar:

As flutuações dos níveis de açúcar também podem afetar o humor. O ideal é manter níveis estáveis, comer várias vezes longo do dia, consumir hidratos de carbono complexos tais como os cereais integrais (libertam de forma mais lenta os açúcares no sangue) e alimentos com maior concentração de triptofano, que aumentam a produção de Serotonina e que afetam positivamente o humor.

As Vitaminas e os Minerais:

Tal como as caimbras estão associadas á falta de magnésio e de potássio, também a depressão está por vezes associada a carências nutricionais. Os distúrbios depressivos podem ter como causa carências nutricionais, nomeadamente de lítio, magnésio e de vitaminas do complexo B.

Vitaminas do complexo B: As vitaminas do complexo B são essenciais para a manutenção das funcões nervosas. As pessoas com depressão tendem a ter carências de vitaminas do complexo B, nomeadamente de Vitamina B6 (essencial á produção do neurotransmissor serotonina, que nos a sensação de prazer e de bem estar e bom humor) e das Vitaminas B12 e B2. Podemos encontrar estes aminoácidos nas carnes magras, peixe, ovos, sementes, frutos secos, banana, soja, lacticínios, vegetais de folha verde e cereais.

Vitamina C: A sua carência também pode causar depressão. Nos fumadores, a vitamina C está diminuída. Está presente nos frutos, legumes, citrinos, morangos, kivi e pimentos.

Magnésio e Manganês: O Magnésio e o Manganês influenciam a transmissão nervosa e ajudam a combater a depressão. As principais fontes são: Legumes, cereais integrais, frutos secos e leguminosas. O Citrato de Magnésio é a forma mais facilmente absorvível de magnésio.

Ferro: O Ferro também é necessário á produção de serotonina. As mulheres que tomam pílula e têm baixa de ferro (anemia devido ao fluxo menstrual) têm tendência para a depressão. Podemos encontrar ferro nas carnes vermelhas, fígado, vegetais de folha verde: salsa, espinafres, acelfa, beterraba, agriões, gema de ovo, leguminosas (grão, feijão, ervilhas, lentilhas), cereais integrais, frutos secos.

Selénio: O Selénio melhora o humor, ajuda a combater a depressão e ansiedade e é um poderoso antioxidante. Encontramos selénio no peixe, na carne, marisco, cereais integrais, abacate, laticínios, frutos secos oleaginosos: nozes (com a forma idêntica à dos hemisférios cerebrais), amêndoas, trigo integral e sementes de girassol.

Zinco: O Zinco Ajuda a transformação de triptofano em serotonina; Nas pessoas com depressão, o zinco encontra-se em níveis baixos. Encontramos o zinco nas ostras, ovos, carnes vermelhas, amendoins e sementes, marisco, ostras, frutos secos e cereais integrais.

5 HTP (5-Hidroxitriprofano):  Aminoácido extraído do feijão Griffonia simplicifolia – sintetizado a partir do aminoácido L-Triptofano e com capacidade de passar a barreira hematoencefálica, convertendo-se em Serotonina.

Os Ácidos Gordos Polinsaturados

Ácidos Gordos Ómega 3: Conhecidos como sendo os nutrientes ideais para o melhorar o colesterol e os triglicéridos, desempenham um papel importante no sistema nervoso. O cérebro é constituído por ácidos polinsaturados, nomeadamente, Ómega 3 de cadeia longa, EPA e DHA e fosfolípidos ricos em colina e lecitina. Diversos estudos estabelecem a associação entre a baixa concentração de ómega 3 e a prevalência da depressão. Os ácido gordos ómega 3 melhoram o humor depressivo. Como o organismo não é capaz de o sintetizar, apenas os obtemos através da alimentação (peixes gordos, azuis): salmão, cavala, atum, arenque, sardinha ou através de suplementos alimementares de óleos de peixe ómega 3.

Plantas medicinais

O uso de plantas medicinais no tratamento da depressão tem comprovação científica da eficácia e pode constituir uma alternativa aos fármacos, por não apresentarem efeitos secundários, nem criarem dependência. No entanto, o seu uso concomitante é desaconselhado.

Ao nível da Fitoterapia, o uso de plantas medicinais com ação no sistema nervoso central, tais como o Humulus lupulos (Lúpulo) e a Valeriana officinalis (Valeriana), podem ser utéis no controlo da ansiedade, insónias e depressão.

- Lúpulo (Humulus Lupulus): Sedativo, ansiolítico, calmante e indutor do sono.

- Valeriana (Valeriana officinalis): Sedativo, nervosismo, ansiedade, relaxante muscular, ansiolítico, combate insónias- Valeriana officinalis  - efeito semelhante ao das benzodiazepinas por bloqueio dos recetores GABA.

- Melissa - erva-Cidreira (Melissa officinalis): Usada como calmante nos problemas de origem nervosa, nos estados de nervosismo, irritabilidade e agitação, perturbações do sono, espasmos e anorexia.

- Passiflora – Flor de Maracujá ( Passiflora incarnata): Irritabilidade, ansiedade, manifestações psicossomáticas, insónias e transtornos nervosos.

- Papoila da Califórnia (Eschscholtzia californica): Ação analgésica e  efeito sedativo (interação com recetores opióides).

- Hipericão (Hypercum perforatum): Atividade ansiolítica e antidepressiva na depressão leve a moderada. Utilizado também nos sintomas psíquicos associados à menopausa – transtornos psicoativos, alterações do humor, mau humor de caráter depressivo, ansiedade e agitação nervosa.

O Hipericão é uma planta medicinal de utilizada no tratamento da depressão leve a moderada e é o de primeira linha que deve ser utilizado quando pacientes toleram mal os antidepressivos clássicos. Existem diversos estudos comparativos entre a ação do hipericão em relação à Fluoxetina, que atestam a sua importância no tratamento de certas formas de depressão.

Alimentação:

Deve privilegiar-se uma alimentação rica em vegetais, cereais, frutos frescos e secos e ovos ricos em ómega 3. Deve eliminar-se os alimentos estimulantes tais como o álcool, tabaco e café, ainda que em doses moderadas possa ter uma ação benéfica ao nível do sistema nervoso.

Medidas a Adotar:

Ter um atitude mental positiva, rir, rodear-se de pessoas positivas,  É importante aumentar a prática de exercício, realizar exercícios de visualização criativa e de técnicas de relaxamento neuromuscular. O relaxamento físico e mental é essencial. Evitar o stresse e a ansiedade, desvalorizar o que não é importante e dormir bem é essencial para a saúde mental.

 

 

Cuide da Sua Saúde.