61º Programa Cuide da sua saúde: Gripe, 13 Novembro

Podcast RDP Internacional

 

A Homeopatia Como Alternativa na Prevenção e Tratamento da Gripe e dos Síndromes Gripais

Com a chegada do outono e inverno surgem as doenças caraterísticas destas estações: a gripe, as constipações e outros síndromes gripais.

Existe um número cada vez mais elevado de pessoas que encontra na homeopatia uma resposta eficaz na prevenção e tratamento deste tipo de afeções gripais.

A homeopatia oferece uma resposta rápida, contribuindo para um síndrome gripal mais curto e uma convalescença mais rápida e diminuindo o absentismo. Contrariamente às vacinas, a abordagem homeopática contempla o conjunto de síndromes virais febris, tanto na sua prevenção como no seu tratamento.

A gripe é uma enfermidade vírica contagiosa causada pelos Mixovírus influenzae A,B, C e subtipos, adenovírus, enterovírus, entre outros. Apesar de não existir imunidade cruzada nos síndromes gripais, existem vários tipos de vírus durante o mesmo período invernal (ex. Gripe A, Gripe B, Parainfluenza 1, 2, 3, Adenovírus, etc). Caraterizada por uma fase inicial – incubação silenciosa, seguida de invasão febril, fase de estado, fase defervescência e de Convalescença.

Os síndromes gripais têm geralmente um período de incubação de 48 horas nos casos de virémia transitória assintomática; nos casos leves (hóspedes resistentes ou parcialmente imunes) é similar a um resfriado comum; envolvem calafrios e febre súbita entre os 39-39,5º C; Prostração e dores generalizados (mais pronunciados na espádua e nas pernas); Cefaleias proeminentes acompanhadas de fotofobia e dolor retroocular. As manifestações clínicas poderão incluir afeções das amígdalas e da faringe, ardor retroesternal, tosse seca e por vezes coriza, conjuntivas inflamadas e lacrimejantes; num estado mais avançado afeta as vias respiratórias inferiores, com tosse persistente e produtiva.

 

Medicamentos Homeopáticos Indicados nos Síndromes Gripais

Apesar do mito das “Vacinas Homeopáticas”, que não existem verdadeiramente, a homeopatia pode contribuir para a prevenção e tratamento dos síndromes gripais. 

Existem medicamentos homeopáticos com atividade imunoestimulante - Echinacea 6 DH (tomar 20 gotas por dia, como prevencão,  3 vezes ao dia no período de contágio). Nos indivíduos com fragilidadade pumonar e predisposição gripal, aconselha-se o uso de Influenzinum 15 CH e Serum de Yersin 15 CH. No entanto, como em homeopatia é fundamental a individualização do tratamento, existem outros medicamentos homeopáticos de fundo do terreno pessoal de cada paciente que poderão contribuir para a prevenção dos estados gripais.

 

No período de invasão, em que existem calafrios e febre, com sede intensa e agitação pode recorrer-se ao Aconitum 9 CH.

Na febre oscilante (em picos), congestão cefálica, pele quente e roxa, suores intensos, mucosas secas, sede intensa, hiperestesia sensorial, agitação e abatimento, recomenda-se: Belladonna 9 CH.

Na Fase de estado, que inclui febre e cefaleias, calafrios, tremores, sensação de agulhetas, suores e ausência de sede, recomenda-se: Gelsemium 9 CH.

Nos casos que incluem febre, necessidade de movimento, calafrios e tosse (assim que o paciente se destapa), sede intensa e herpes peribucal, o mais indicado é:

Rhus toxicodendron 9 CH.

Nos casos de dores musculares e ósseas, dores à pressão dos globos oculares, rinite e tosse:

Eupatorium perfoliatum 9 CH.

Noutras formas clínicas que incluem dores e tosse seca intensa, cefaleias que melhoram com a imobilidade e sede intensa, recomenda-se Bryonia alba 9 CH (por exemplo, 5 grânulos a cada 2 horas).

Nos quadros clínicos de febre pouco elevada, traqueíte, otalgias (dores de ouvidos) e tendências hemorrágicas, aconselha-se a toma de Ferrum phosphoricum 9 CH

(5 grânulos 2 vezes ao dia).

Quando envolve outras formas clínicas cujo trato digestivo está afetado (“gripe intestinal”), estado confusional – delírio, o mais indicado é Baptisia tinctoria 9 CH (5 grânulos, 4 vezes ao dia).

 

Nos períodos de convalescença, cujo objetivo é promover-se uma ação descongestiva e anti-inflamatória, por vezes complementada com um medicamento para a tosse – Sulfur iodatum 9 CHPara combater a astenia física e eventuais perdas de líquidos (diarreia, vómitos e suores) - China rubra 9 CH (5 grânulos, 2 vezes ao dia). Para combater a astenia psíquica com hipersensibilidade e irritabilidade - Kalium phosphoricum 9 CH (5 grânulos, 2 vezes por dia). Na convalescença física, para combater os estados depauperados - Avena sativa - Alfalfa 6 DH (cereais germinados) - 20 gotas antes das refeições.

Caso não persistam sequelas de gripe, tomar Influenzinum 15 CH (1 tubo-dose único).

 

As Dosagens em Homeopatia

Os medicamentos homeopáticos são obtidos a partir de produtos de origem vegetal, mineral e animal, sujeitos a processos de diluição e dinamização. Em homeopatia não é tão importante a dosagem, como acontece com os fármacos, o mais importante é a identificação do medicamento homeopático mais adequado para o paciente que apresenta determinado sintoma de uma dada doença – a gripe pode manifestar-se de maneira diferente em pessoas diferentes – e a diluição mais adequada ao seu estado. Assim, em estados agudos, utilizam-se diluições baixas – 5 CH - para os estados agudos (por exemplo, para combater um estado febril com sudação), diluições médias – 9 CH - para combater os sinais gerais, e diluições altas – 15-30 CH, para combater os sinais nervosos. Para além da importância da diluição também é muito importante a frequência da toma dos medicamentos homeopáticos. Em casos agudos, por exemplo, numa situação aguda de febre, pode tomar-se Belladonna 5 CH de meia em meia hora; numa situação crónica, pode tomar-se Belladonna 9 CH, duas vezes por dia. Outro exemplo: na prevenção da gripe pode tomar-se Influenzinum 15 CH - 1 tubo-dose (via perlingual) em jejum, uma vez por semana, durante 5-6 semanas.

Dependendo do tipo de manifestação clínica e porque cada caso é um caso, para a homeopatia não existem doenças, existem doentes, com as suas caraterísticas individuais, e com o seu modo específico reacional, a gripe e os síndromes gripais em geral (tal como todas as outras doenças) devem ser abordados numa perspetiva casuística e não apenas no tratamento de sintomas com analgésicos, antipiréticos, anti-inflamatórios e antibióticos. No entanto há que ressalvar que o seu uso pode ser necessário em determinadas situações. Tudo depende do tipo e da intensidade das manifestações clínicas e do bom senso de cada paciente, médico ou terapeuta.

Advertência: As informações contidas neste artigo são meramente informativas e não substituem o aconselhamento médico/ homeopático especializado.

 

Referências Bibliográficas:

Curso Pós-graduado de Atualização em Medicamentos Homeopáticos; Faculdade de Farmácia de Lisboa; Universidade de Lisboa;

Farmacologia y Matéria Médica Homeopática; D. Demarque; J. Jouanny; B. Poitevin; Y. Saint-Jean; Edições CEDH; 1ªEdição; Paris; 2006

Manuel da Fonseca

Naturologista Especializado em Homeopatia

Pós-Graduado em Homeopatia pela Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa