FITOTERAPIA E TOTUM VEGETAL


A utilização das plantas com propriedades medicinais é conhecida desde os primórdios da humanidade. O Homem desde sempre usou, ainda que de forma empírica, as plantas medicinais para o tratamento das suas maleitas. Fato conhecido não somente pelo estudo das tradições dos povos, como pelas investigações científicas nos campos da Antropologia, Paleontologia, Arqueologia pré-histórica e de outros ramos do saber.
Não obstante o grau da sua evolução, o Homem ainda utiliza na atualidade os vegetais e plantas com propriedades medicinais na prevenção e tratamento de doenças. A planta medicinal Ginkgo biloba, por exemplo, considerada um autêntico fóssil vivo, com mais de 270 milhões de anos, é a prova da utilização ancestral das plantas medicinais. No entanto, o uso das plantas sempre foi feito de forma integral, utilizando-se as plantas na sua totalidade, ainda que de forma intuitiva e empírica, sem recurso a técnicas laboratoriais de identificação de substâncias, que muito mais tarde, vieram a experimentar e a comprovar a sua ação terapêutica. Portanto, foi no melhor laboratório – o organismo humano, que, ao longo de séculos, se experimentou e comprovou os benefícios das plantas medicinais na prevenção e tratamento das doenças.
Com o advento da química, passou a ser possível identificar e isolar as substâncias consideradas ativas, existentes nas plantas medicinais e enveredou-se pela síntese de substâncias isoladas, perpetuando-se esta abordagem até aos nossos dias. Este princípio reducionista, baseia-se na premissa de que a atuação terapêutica das plantas medicinais está unicamente relacionada com a existência de princípios ativos, que sendo os responsáveis pela atividade terapêutica, isolados, produzem maior eficácia terapêutica. No entanto, a experiência clínica tem vindo a demonstrar que existem maiores benefícios terapêuticos no uso das plantas medicinais na sua totalidade, em detrimento do uso de substâncias isoladas a partir de matérias vegetais.
Os laboratórios, ao tentarem reproduzir a ação das plantas medicinais, anulam certos valores integrais das plantas, para se limitarem à extração de alguns dos seus princípios ativos, esquecendo-se de que é no todo da planta que se encontra o cerne da sua atuação. Este fato relaciona-se com o princípio da utilização do Totum vegetal das plantas, como forma de potenciar a utilização integral de todas as substâncias existentes nas plantas medicinais, que conjugadas entre si, permitem a sua atividade terapêutica. Isto significa que exite um conjunto de substâncias, de diversa natureza bioquímica, que interagem entre si, que atuam sinergicamente e que são responsáveis pelas propriedades terapêuticas das plantas medicinais.

 

 

Vantagens na utilização do Totum Vegetal das Plantas Medicinais


O Totum vegetal constitui o todo intracitoplasmático das células vegetais e inclui todos os constituintes que se encontram no interior do citoplasma das células vegetais (todos os organelos constituintes; vitaminas, minerais, oligoelementos, enzimas e substâncias fitoquímicas ). Todos os constituintes das células vegetais estão em constante dinâmica e são compostos por moléculas em constante interação intra e intermoleculares.
Existem diversas vantagens terapêuticas na utilização do Totum Vegetal das plantas medicinais (extrato total), em vez de substâncias isoladas desses mesmos vegetais. Este fato está relacionado com o aproveitamento total do complexo de substâncias que integram a constituição das plantas medicinais, com maiores beneficios terapêuticos. O uso de substâncias isoladas (princípios ativos), que se consideram teórica e ou experimentalmente como responsáveis pela ação terapêutica específica de determinada planta, não refletem verdadeiramente a ação global e integral da planta e de todos os constituintes que a integram, tal como se encontra no seu estado original natural.
Diversas provas experimentais fundamentam cientificamente a importância da utilização do Totum vegetal das plantas medicinais em detrimento do uso de substâncias ou princípios ativos isolados.
A farmacologia ao enveredar pelo isolamento de substâncias, utiliza apenas os princípios ativos presentes nas plantas medicinais, que são uma percentagem ínfima daquilo que a planta contém, dentro da sua complexidade bioquímica, e que não corresponde à ação da planta como um todo. Isto porque a ação total e integral do Totum vegetal não está unicamente condicionada, à atividade individual de cada uma das substâncias que dele fazem parte. Trata-se pois de curar o complexo (organismo humano) utilizando o complexo (Totum vegetal).
Assim, ao considerarmos que a Alcachofra (Cynara scolymus) tem ação colerética (estimula a produção de bilis ao nível do fígado), hepatoprotetora (protetor hepático) e hipocolesterolemiante (diminui os níveis de colesterol), estamos a considerar as suas caraterísticas integrais e todos os seus constituintes (vitaminas, minerais, enzimas, flavonóides, fitosteróis, ácidos aromáticos, etc) e não apenas a Cinarina – um dos constituintes ativos presentes na referida planta. Por essa razão, existem maiores vantagens terapêuticas na utilização do extrato total de Alcachofra em detrimento do uso de Cinarina ou Silimarina isoladas.
Existem inúmeros componentes presentes nas medicinais, desde a água, aos sais minerais, vitaminas, mucilagens, ácidos orgânicos, hidratos de carbono e substâncias proteicas. Estas substâncias bioquímicas não determinam por si só, os efeitos fisiológicos atribuídos aos princípios ativos, mas por se encontrarem em combinação orgânica, favorecem e aumentam o valor terapêutico das plantas medicinais; e os elementos considerados ativos, com a particularidade de reduzirem a toxicidade de alguns fitoquímicos, tais como os alcalóides.
Por todas as razões apresentadas, em fitoterapia naturológica, utiliza-se o extrato total das plantas medicinais (conservam a integridade bioquímica de todos os constituintes, que agem de forma sinérgica e equilibrada e com todas as potencialidades), em vez das substâncias ou princípios ativos isolados, em virtude de promoverem uma maior biodisponibilidade (melhor utilização biológica, metabolização e absorção orgânica), apresentarem um maior afinidade para com a fisiologia humana e revelarem maiores benefícios terapêuticos.


Manuel Alberto Teixeira da Fonseca

Professor de Fitoterapia em Cursos de Naturologia e de Terapêuticas Não Convencionais.
Lecionou as cadeiras de Bioterapias, Fitologia, Fitoterapia e Fitofarmacognosia na Escola Superior de Tecnologias e Artes de Lisboa e na Escola Superior de Biologia e Saúde.

 

 

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