Prevenção e Tratamento Natural da Gripe (A)

Muito se tem falado e escrito sobre a gripe A nos últimos meses. A campanha de informação montada pelas autoridades de saúde portuguesas tem sido notável. A par das directivas da Organização Mundial de Saúde (OMS), sobre as características da nova pandemia, têm sido veiculadas informações preciosas e esclarecedoras.
As medidas de prevenção incluem a adopção de hábitos de higiene que permitem evitar o contágio do vírus Influenza A - H1N1. Nunca se ouviu falar tanto de lavagem das mãos e da higienização de superfícies de uso comum, onde, aliás, proliferam normalmente inúmeros microrganismos que convivem dia-a-dia com todos nós. É verdade que uma das características desta nova estirpe (S-OIV) é a sua facilidade de contágio. Daí os cuidados acrescidos.

 

Mas será que é mesmo inevitável contrair a doença?
A resposta leva-nos a Pasteur e a Claude Bernard. Estes dois notáveis cientistas tinham ideias muito contrárias em relação ao papel dos microrganismos na etiologia das doenças. Para Pasteur, que nos deixou o legado da técnica de pasteurização, tudo deveria ser esterilizado e asséptico, pois os microrganismos eram verdadeiramente a causa das doenças. Para Claude Bernard, fisiologista, os microrganismos eram apenas uma das causas das doenças, sendo mais importante o "Terreno Biológico". Depois de enormes confrontos filosóficos e centíficos, Pasteur acabou por concordar com Claude Bernard sobre a importância da condição do organismo no combate aos microrganismos. E, já no leito da sua morte, disse: "Claude Bernard tinha razão: o micróbio não é nada, o terreno é tudo."
Estes conceitos mantêm-se muito actuais e aplicam-se a esta pandemia. As pessoas cujo "terreno biológico" é mais vulnerável ou que apresenta descompensações, integram "grupos de risco", nomeadamente as crianças com idade inferior a cinco anos, maiores de 65 anos, grávidas e os doentes com patologias crónicas (cardíacos, asmáticos, renais, hepáticos, neurológicos, hematológicos, imunodeficientes e diabéticos).
A abordagem da medicina natural em relação à gripe (sazonal ou não) é idêntica a qualquer tipo de doença, com as suas especificidades e respectiva adequação terapêutica e baseia-se na questão do tratamento do "terreno biológico" de cada indivíduo, fortalecendo-o e dando-lhe as condições para que o sistema imunológico possa reagir à agressão de qualquer agente patogénico, através dos mecanismos auto-curativos e de defesa naturais.

 

"Não há doenças, há doentes".
Nesta perspectiva, deve tratar-se o indivíduo como um todo:
Individualizar a terapêutica e adaptá-la à constituição orgânica.
Equilibrar o "terreno biológico" e prepará-lo para a agressão de qualquer agente patogénico.
Corrigir os desequilíbrios nutricionais (minerais, vitaminas, oligoelementos).
Corrigir o pH orgânico (prevenir a acidez dos fluidos corporais).
Reforçar a energia vital e os mecanismos de defesa naturais (imunoestimulação e imunomodulação).
Identificar pré-disposições genéticas e orgânicas na abordagem clínica.
Equilibrar aspectos psicossomáticos (psico-neuro-imunologia–E.g. - Desgostos, tristeza, perdas, traumas, depressão).
Educar para a adopção de hábitos de vida saudáveis que permitam promover a saúde e prevenir a doença.

Na prevenção e tratamento da gripe é importante a condição imunológica do organismo, para resistir à carga viral.


Existem inúmeras substâncias biológicas e naturais, com propriedades nutricionais, antioxidantes e imunomodeladoras, que ajudam a reforçar a condição orgânica e a fortalecer o sistema imunitário:


Extracto de alho envelhecido: Aumenta a produção de anticorpos, actividade de macrófagos, células T e NK – natural killer.


Cogumelos terapêuticos: Shitaké, Maitake, Reishi, Agaricus, Coriolus (Aumentam a eficácia das células T, actividade anti-bacteriana e anti-viral, imunoestimulante e imunomodeladora).


Plantas medicinais que melhoram as defesas em geral: Visco Branco, Sabugueiro, Roseira Brava e Equinácia – Echinacea angustifolia, Echinacea purpurea, Echinacea pallida (A associação destas três espécies revela aumento da biodisponibilidade e actividade imunomodeladora, imunoestimulante, anti-viral e anti-bacteriana).


Vitamina C (Ácido ascórbico): Actividade antioxidante, aumenta a produção de leucócitos, células T, macrófagos, resistência às infecções e diminuição dos níveis de cortisol; A Vitamina C natural de Acerola (extracto da baga de acerola) aumenta a biodisponibilidade e prolonga a acção da Vitamina C (Aumenta a resistência às infecções, activando as reacções imunitárias e revela acção antioxidante contra os radicais livres).


Propólis (Resinóide utilizado pelas abelhas para selar a colmeia para a protecção dos agentes patogénicos exteriores): Utilizado para prevenir e tratar afecções bacterianas do foro otorrinolaringológico e vias respiratórias superiores.


Suplementos Alimentares: Complexos multivitamínicos e multiminerais, que incluam Vitamina D3, Vitamina C, Vitamina E, Vitamina A, Vitaminas do Complexo B, Cálcio, Magnésio, Zinco; Selénio, Cobre; Óleo de Fígado de Tubarão e Bacalhau; Complexos enzimáticos; Lisozima; Lactoferrina; Papaia fermentada; Ácidos gordos essenciais, Polifenóis (bagas de sabugueiro e romã, chá verde); Super-óxido-dismutase.

A condição da flora intestinal é muito importante para melhorar a imunidade geral, facilitar a assimilação dos nutrientes e para a produção de vitaminas.
Para equilibrar a flora intestinal utilizam-se substâncias probióticas e prebióticas:


Probióticos: Bactérias benéficas que equilibram a flora intestinal, combatem a inflamação e a proliferação de bactérias prejudiciais ao organismo, melhoram a digestão, regulam o trânsito intestinal, contribuem para a absorção e produção de nutrientes essenciais (E.g., Lactobacilos, Bifidobactérias);


Prebióticos: Compostos de substâncias que são absorvidas e chegam intactas ao nível do colón e estimulam o crescimento a actividade das bactérias probióticas presentes na flora intestinal (E.g., Fruto-oligossacáridos e Galacto-oligossacáridos)

Os sinais e sintomas da gripe A são os mesmos da gripe sazonal, tais como a febre (mas de início súbito a 39ºC), tosse (seca e contínua), dores de cabeça (intensas), dores musculares (intensas), articulares e de garganta (leves), corrimento nasal (menor), calafrios (frequentes), cansaço (extremo), tosse (seca e contínua), ardor nos olhos (intenso), vómitos e/ou diarreia, podendo evoluir para um quadro mais grave de bronquite ou pneumonia.

Plantas Medicinais e Complementos Bioterápicos utilizados no tratamento da sintomatologia da gripe:

Febre
Sabugueiro, Salgueiro, Gengibre, Canela, Tília, Ulmária e Eupatório.
Óleos Essenciais: Tomilho, Segurelha, Hortelã-Pimenta, Limão e Eucalipto (inalações, banhos, vapores e ingestão em doses reduzidas).
Suplementos Alimentares: Cálcio e Magnésio e Sais de Shussler.

Tosse
Seiva de Pinheiro, Alteia, Alcaçuz, Drosera, Sabugueiro, Pulmonária, Agrião, Líquen-da-Islândia, Bálsamo de Tólu, Ipecacuanha, Alho, Saponária (extractos, xaropes ou comprimidos).
Óleos essenciais: Funcho, Tomilho, Limão, Segurelha, Eucalipto, Pinheiro ou Hortelã-Pimenta (diluir algumas gotas em água quente, para inalação, vapores, aplicação no tórax e dorso ou ingestão em doses mínimas).

Dores Musculares e Articulares
Salgueiro-Branco, Freixo, Harpagófito, Ulmária e Unha de Gato, sob a forma de extracto, comprimidos e pomadas.
Óleos essenciais: Alfazema, Canela, Arnica, Cânfora, Alecrim ou Eucalipto (diluídos numa base vegetal e aplicados localmente).
Suplementos: Cartilagem de Tubarão, Sulfato de Glucosamina e Condroitina, MSM, Cálcio, Magnésio e Bromelaína.

Dores de Cabeça e Garganta
Salgueiro, Sabugueiro, Ginkgo Biloba, Valeriana, Camomila, Lúpulo e Rainha dos Prados (extracto, comprimidos ou infusão).
Óleos essenciais: Hortelã-Pimenta, Alecrim ou Camomila (aplicar localmente na região temporal).
Suplementos: Vitamina C, Vitaminas do Complexo B e Própolis (em complemento).

Inflamações Respiratórias
Eucalipto, Hortelã-Pimenta, Tomilho, Groselheira negra, Segurelha, Anis Estrelado, Gengibre, Murta, Salva, Canela e Citronela do Ceilão e Copaíba (extractos, xaropes, infusões ou óleos essenciais).
Óleos essenciais: Pinheiro ou Eucalipto (massagem no peito e na região dorsal ou inalação).
Suplementos alimentares: os indicados para o sistema imunitário.

Inflamações da Garganta e Nariz
Sabugueiro, Hamamélis, Salgueirinha, Tormentilha, Limão, Malva (gargarejos e lavagens).
Óleos essenciais: Anis, Tomilho, Eucalipto, Limão, Funcho e Hortelã-Pimenta (inalação ou toma em doses mínimas).
Suplementos: Propólis, Vitamina C e Vitaminas do Complexo B (muito importante).

Fadiga Geral
Ginseng Siberiano, Alfalfa, Milefólio e Mangostão (em extracto ou xarope, são revitalizantes).
Óleos essenciais: Limão, Eucalipto e Canela (são tónicos e estimulantes).
Nos períodos de convalescença recomenda-se a suplementação com substâncias nutritivas, tónicas, reconstituintes e revitalizantes, tais como a geleia real, a levedura de cerveja, os extractos de cereais germinados, a lecitina de soja, os complexos multivitamínicos, multiminerais e de oligoelementos (cobre-ouro-prata), Coenzima Q10 e E1 (NADH) e microalgas com elevado teor proteico (Spirulina, Clorela e Alga azul).

Algumas Recomendações para Lidar com a Gripe

Ambiente: Mantenha-se em casa, num ambiente sem grandes variações de temperatura (previna os choques térmicos), evitando os ares condicionados e o arrefecimento do corpo e das mucosas. Mantenha-se quente na cama, promovendo a sudação e permitindo que o corpo combata a febre e a infecção.

Hidratação: Mantenha-se hidratado, bebendo cerca de 2,5 litros de líquidos ao longo do dia - água filtrada, mineral, tisanas infusões de plantas de acordo com a sintomatologia – (E,g., Anis Estrelado com Hortelã, Limão Gengibre, Tomilho, Alfazema ou Poejo) ou sumos de frutas. A hidratação melhora as secreções e os fluidos corporais. É fundamental prevenir a desidratação, especialmente quando há febre, vómitos ou diarreia.

Alimentação: A qualidade dos alimentos ingeridos é fundamental para fortalecer o organismo. Deve privilegiar-se o consumo de alimentos biológicos, orgânicos e frescos (frutas, frutos secos, bagas de sabugueiro, romã e goji, vegetais, verduras, legumes, oleaginosas e alimentos ricos em proteínas de alto valor biológico e subprodutos da soja).
Deve evitar-se o consumo de alimentos refinados, pré-confeccionados, industrializados, criadores de um meio ácido e que diminui as defesas, tais como o açúcar branco (substituir pelo mel e açúcar mascavado orgânico), carnes vermelhas (criam reacções ácidas, ácido úrico e toxinas redutoras da imunidade), substituindo-as pelas proteínas vegetais. Restrinja o consumo do leite de vaca (rico em caseína, indigesto, aumenta o ácido láctico e as mucosidades) e prefira o leite de soja, avelã ou nozes. No entanto, consuma iogurte natural (Lactobacillus), que fortalece a flora intestinal e melhora as defesas em geral. Evite as farinhas brancas (geram mais mucosidades e enfraquecem o organismo). Elimine os alimentos processados, pois geram desiquilíbrios orgânicos e contribuem para a acidificação do sangue.
Opte por uma cozinha aromática, que inclua ervas aromáticas (Salva, Mangericão, Coentros, Alecrim, Gengibre, Funcho, Tomilho, Salsa, Alho, Cebola ) e especiarias (Canela, Açafrão, Pimenta, Pimentão, Cardamomo, Noz-moscada, Caril, Alcaravia, Cominhos, Cravo-da-Índia), que contribui para uma acção anti-séptica e carminativa, que melhora os sistemas gastrintestinal e respiratório.

Homeopatia: Pode ser utilizada para atenuar alguns dos sintomas da gripe.
Na prevenção dos estados gripais, utiliza-se o extracto autolisado do fígado e coração do pato Ana barbariae 200 CH, Tuberculinum e Influenzinum 200 CH.
No tratamento da gripe podem utilizar-se diversos produtos homeopáticos (Drosera, Gelsemium, Eupatorium, Arsenium, Allium cepa, Phosphorus, veratrum album). Tudo depende da sintomatologia apresentada pelo paciente. Recomenda-se uma consulta individualizada para avaliação do estado geral e prescrição casuística.

Medidas de Higiene: As medidas de higiene para a prevenção do contágio da doença incluem a lavagem frequente das mãos, a utilização de solução alcoólica (pode substituir-se por solução de água e vinagre de Cidra ou mistura de óleos essenciais de limão, eucalipto, hortelã-pimenta, malaleuca e cânfora, que são excelentes anti-sépticos) e a protecção da boca ao tossir ou espirrar.
Use um saquinho de gaze com pedras de Cânfora ao peito. Parece que durante a Gripe Espanhola, os profissionais de saúde que lidavam com as vítimas, usavam-na ao peito e raramente contraíam a doença.
Utilize difusores de ozono ou de óleos essenciais (Lavanda, Eucalipto, Limão, Cânfora, Malaleuca, Oregão, Hortelã-pimenta, Pinheiro, Tangerina, Sândalo, Murta, Gerânio e Abeto da Sibéria) para promover um ambiente mais asséptico.

A Condição Psicológica: Evite o alarmismo e pânico. Mantenha-se calmo e sereno. Cumpra todas as regras de higiene (seja responsável, promova a protecção individual e colectiva), tenha hábitos de vida saudáveis, durma bem e tente manter-se o mais relaxado e alegre possível. Seja optimista. O modo como reage é determinante para aumentar ou diminuir as suas defesas. O stresse emocional continuado eleva os níveis de adrenalina e cortisol e contribui para a imunodepressão. A tristeza e depressão afectam o equilíbrio das vias respiratórias e torna-o mais vulnerável ao contágio e agravamento do estado.

Esperemos que desta pandemia resulte uma maior compreensão sobre a importância das defesas orgânicas e da condição nutricional, do aumento da resistência orgânica para nos preparar para qualquer agente microbiano e dos métodos de prevenção para qualquer doença.

As informações apresentadas pretendem melhorar a sua qualidade de vida, são complementares aos cuidados médicos e não pretendem substituir nenhuma indicação médica ou hospitalar.
Caso tenha dúvidas ou apresente algum dos sintomas referenciados, não hesite em contactar a Linha Saúde 24 – 808 24 24 24 ou consultar o sítio www.dgs.pt.

 

 

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