Tratamento Natural da Depressão

Um dos problemas da medicina moderna é a abordagem dos pacientes numa perspectiva sintomatológica. Assim, um diagnóstico puramente sintomático pode ser útil porque leva à tomada de medidas terapêuticas para atenuar os sintomas e queixas dos pacientes. No entanto, pode não corresponder à realidade patológica que origina essas mesmas queixas. É um fato que atenuar ou eliminar os sintomas, não é sinónimo de eliminação da causa dos mesmos.
Assim, receitar medicamentos para atenuar as vertigens ou cefaleias (dores de cabeça), pode não só falhar, como mascarar e agravar ainda mais estes sintomas.

A medicina moderna faz dos nossos seres animados, um "saco cheio de fórmulas químicas".
Um dos princípios mais importantes da medicina biológica reside na abordagem holística, que perspectiva o Homem como um todo inter-relacionado (e não apenas as partes que o integram) e que tem em conta o bem-estar físico, psíquico (mental, emocional) e até espiritual.
De facto, a própria definição de saúde da O.M.S. (Organização Mundial de Saúde), menciona que, para haver saúde, é necessário existir um "Completo bem estar físico, psíquico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade". Isto significa que, não estar doente, não é sinónimo de se estar de "Boa Saúde".
O Homem (microcosmos) participa em contacto directo com a natureza (macrocosmos) e está em contínua luta para encontrar o seu equilíbrio (Saúde). A doença surge como um desequilíbrio e os sintomas que se ocasionam poderão ser a linguagem do diálogo entre a natureza e o seu próprio corpo.


Assim, a Medicina Biológica utiliza todo o tipo de meios naturais (bioterápicos) para fazer reacionar o organismo, respeitando os mecanismos fisiológicos de "auto-cura", através do reequilíbrio da "Energia Vital", que é inerente a qualquer ser vivo.
Deste modo, a intervenção terapêutica deve orientar-se no sentido de modular os diferentes sistemas orgânicos e não inibir as reações defensivas do organismo, respeitando a individualidade de cada paciente. Qualquer sistema terapêutico deve estar em harmonia com os processos curativos naturais, afim de obter-se a respectiva cura integral.
Para a medicina biológica, "não há doenças, há doentes". Este princípio é aplicado a todos os pacientes, pois, o modo como cada doença se manifesta, varia de indivíduo para indivíduo e apresenta características diferenciadas.
A abordagem da medicina biológica em relação à depressão, passa por um conjunto de medidas terapêuticas que permita restabelecer o equilíbrio perdido e que combata a astenia psico-física do indivíduo.
É muito importante identificar as causas da depressão (Fatores psicossociais, biológicos, genéticos, etc), bem como o tipo de depressão (major, reactiva, endógena, sazonal, atípica, pós-parto, bipolar, etc).
No entanto, e apesar do termo "depressão" já fazer parte do vocabulário do quotidiano, a maioria das pessoas deprimidas não procura tratamento médico e das que procuram, em apenas cerca de metade é diagnosticada depressão. Daí a importância do diagnóstico, que deve passar por uma avaliação médica e pelas de especialistas nas áreas da psiquiatria e psicologia, pois em certos estados depressivos graves é necessário o internamento do paciente.


Estima-se que, em 2020, a depressão será a segunda causa de incapacidade global, apenas superada pelas doenças do foro cardíaco.


A função do sistema nervoso consiste em controlar a maioria das actividades do organismo e a sua relação com o meio ambiente. Por isso, não é de estranhar que qualquer pressão psicológica se manifeste de maneiras muito diferentes – dores de cabeça, tonturas, perda de equilíbrio, dores nas costas, hipertensão, perturbações digestivas, pertubações do humor e do sono, ansiedade e depressão.
É por isso necessário reequilibrar o sistema nervoso, diminuindo a fadiga, ansiedade, irritabilidade, perturbações do humor, as alterações do sono e a melhoria da auto-estima, da auto-confiança e do bem-estar geral.


As medicinas não convencionais apresentam algumas possibilidades de tratamento dos estados depressivos leves. As abordagens incluem a utilização da fitoterapia, homeopatia, acupunctura, suplementação nutricional, técnicas manipulativas (osteopatia, quiropraxia, massagem) e dieta alimentar.


Através da Fitoterapia (utilização das plantas com propriedades medicinais), utilizam-se plantas com propriedades anti-depressivas, nomeadamente, a Erva de S. João (Hypericum perforatum), Alecrim (Rosmarinus officinalis), bem como plantas com acção ansiolítica e relaxante como a Valeriana (Valeriana officinalis), a Passiflora (Passiflora incarnata), a Camomila (Matricaria Chamomilla), Papoila (Escholtzia californica), entre outras. É também importante a utilização de plantas que promovam uma acção tonificante e revitalizante como o Ginseng Coreano (Panax ginseng) e o Ginseng Siberiano (Eleuterococcus senticosus) e a Aveia (Avena officinalis), entre outras.


A Homeopatia consiste no tratamento de doentes, através da administração de produtos provenientes dos reinos animal, vegetal e mineral, altamente diluídos e dinamizados. Assim, a substância (forma não diluída) que num indivíduo saudável é capaz de provocar determinados sintomas, serve para tratar e curar, quando usada em doses reduzidas, num indivíduo que apresenta os mesmos sintomas. Existem alguns homeopáticos que permitem reacionar os mecanismos de defesa orgânicos e que podem, de uma forma casuística, tratar os certos estados ansiosos e depressivos: a Ignatia, a Chamomilla, o Kalium phosphoricum e o Aconitum.


A Acupunctura pode ser uma excelente ajuda nos estados depressivos ligeiros e moderados, através do reequilíbrio da energia ao longo dos meridianos. A sua aplicação também é casuística e envolve um diagnóstico criterioso segundo os princípios da Medicina Tradicional Chinesa.


A Suplementação Nutricional inclui o uso de substâncias que podem contribuir para a melhoria do estado geral dos pacientes, combatendo a falta de vitalidade psico-física. É de referir, a utilização de complexos vitamínicos (Complexo B – Vitaminas B1, B6 e B12, Vitamina A e E, Ácido fólico) e minerais (magnésio, potássio e cálcio), aminoácidos (L-Triptofano, L-Glutamina, GABA, Melatonina), oligoelementos ( Manganês-Cobalto, Cobre-ouro-prata, Lítio, Zinco), bem como a lecitina de soja, as proteínas do soro de leite e a fosfatidilserina (aumenta o nível dos neurotransmissores a nível cerebral). Todas estas substâncias permitem a síntese adequada de neurotransmissores cerebrais, que influenciam o humor e a sensação de bem estar e prazer, tais como a noradrenalina, serotonina e dopamina.
De um modo geral, a utilização de substâncias que contribuem para o aumento da biodisponibilidade dos neurotransmissores (serotonina, noradrenalina), melhora o quadro depressivo. A utilização de Melatonina, pode ter um papel importante na regulação dos ciclos circadianos, nomeadamente do sono, que é bastante afetado pelos estados depressivos, quer por insónias, ou, em oposto, pelo dormir em excesso, o que é uma forma de compensação orgânica.


As Terapias Manipulativas, tais como a Osteopatia, visam a recuperação e o reequilíbrio postural, beneficiando o bem-estar físico e psíquico do indivíduo devido ao aumento do relaxamento corporal. De um modo geral, permitem o desbloqueio da energia nervosa e contribuem para a eliminação de tensões musculares e nervosas. Através da massagem (costas e abdómen), osteopatia e quiropraxia (desbloqueio vertebral), terapia sacro-craniana e técnicas de libertação mio-fascial.


No entanto, para actuar sobre as doenças, é necessário também ter em conta a sobrecarga toxémica do indivíduo e daí a importância da desintoxicação orgânica e da dieta alimentar. É importante a adoção de um conjunto de restrições alimentares: diminuição do consumo de estimulantes (álcool, café, tabaco), açúcares de digestão rápida e refinados e das gorduras animais, nomeadamente, de carnes vermelhas; aumento do consumo de alguns alimentos que contribuem para melhorar o humor e o bem-estar como a banana (rica em potássio e magnésio), chocolate (contém Tirosina, que estimula a produção de serotonina), espinafres, brócolos e legumes em geral (contêm potássio e ácido fólico), uvas (melhoram o funcionamento do sistema nervoso), castanha (contém selénio e é anti-depressivo), melão, gengibre, ananás, e o maracujá, entre outros.


Apesar de tudo o que foi explanado, gostaria de referir que as medicinas não convencionais não são uma alternativa à medicina "convencional" (alopática), sendo "complementares" e consideradas "medicinas baseadas na evidência". Aliás, o conceito moderno de medicina deve passar a uma dimensão de "Medicina integrada ou Integrativa", que englobe todas as áreas do conhecimento das ciências da saúde e de todas as especialidades médicas convencionais e não convencionais e assentar no princípio da multidisciplinaridade. Para bem do paciente.


No caso das doenças do sistema nervoso e, neste caso particular da depressão, é muito importante um diagnóstico precoce e uma abordagem integrada, para bem da saúde do paciente. 

 

 

 

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